quarta-feira, 11 de abril de 2012

Levantes da juventude em favor da Comissão da Verdade

O Levante Popular da Juventude é um movimento novo. Nasceu em 2006, no Rio Grande do Sul, mas a partir deste ano passou a se organizar em 17 estados.Temos como exemplo o companheiro Carlos Marighella, com seu exemplo de convicção ideológica, persistência na luta e coragem para agir.Marighella acreditava que uma organização se constitui na ação. Por isso, nosso movimento se lançou à sociedade na luta e nas ruas, no enfrentamento com os inimigos.O Levante organiza jovens para lutar pelos direitos da juventude e por transformações sociais no nosso país. Somos jovens das periferias e morros, das escolas e universidades, dos sindicatos, das fábricas e do comércio, dos assentamentos e acampamentos.Temos a tarefa de fazer um acerto de contas com o nosso passado, mas queremos fechar também as feridas aberta pelos privatas do neoliberalismo de FHC.Os esculachos que organizamos e têm se repetido por jovens de todo o Brasil nasceram, em condições diferentes, na Argentina. Lá a sociedade impôs a punição de torturadores, assassinos, estupradores e seqüestradores que participaram da repressão da ditadura.Mas os povos podem aprender das experiências uns dos outros! Na Argentina e do Chile, o método do escrache ou funa expõe aos olhos do mundo a necessidade da construção da Memória, Verdade e Justiça.Nos últimos quinze dias, as nossas ações ajudaram a pautar no Brasil a luta pela punição dos torturadores. Um novo ator e um novo instrumento de luta entraram em cena: nós, jovens, com os esculachos de responsáveis pelo assassinato, desaparecimento e torturas de milhares de brasileiros.O nosso método é simples: denunciar à sociedade que entre nós, na sociedade, ainda circulam criminosos impunes, apresentar à sociedade um violador ou uma violação de Direitos Humanos.Na realização dos escrachos, não queremos estabelecer uma relação com os torturadores, mas com a sociedade e com o Estado, para denunciar as violações de direitos humanos.O escracho não é uma sanção ou um castigo. Não queremos nos antecipar a uma punição para esses criminosos. Não queremos substituir as autoridades policiais e do Ministério Público ou o Poder Judiciário.Queremos ultrapassar as paredes dos gabinetes e, às vistas de todo o povo, não apenas exigir o cumprimento da lei, mas demonstrar onde está aquele que a lei diz que deve ser processado e punido.Nós, jovens, que nascemos nas décadas de 80 e 90, não admitimos que as feridas da ditadura continuem abertas e que o nosso futuro seja comprometido por essa âncora pesada e manchada do sangue dos lutadores pela liberdade, que marca o nosso presente.

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