Levantes da juventude em favor da Comissão da Verdade
O Levante Popular da Juventude é
um movimento novo. Nasceu em 2006, no Rio Grande do Sul, mas a partir
deste ano passou a se organizar em 17 estados.Temos como exemplo o
companheiro Carlos Marighella, com seu exemplo de convicção ideológica,
persistência na luta e coragem para agir.Marighella acreditava que uma
organização se constitui na ação. Por isso, nosso movimento se lançou à
sociedade na luta e nas ruas, no enfrentamento com os inimigos.O Levante organiza jovens para
lutar pelos direitos da juventude e por transformações sociais no nosso
país. Somos jovens das periferias e morros, das escolas e
universidades, dos sindicatos, das fábricas e do comércio, dos
assentamentos e acampamentos.Temos a tarefa de fazer um
acerto de contas com o nosso passado, mas queremos fechar também as
feridas aberta pelos privatas do neoliberalismo de FHC.Os esculachos que organizamos e
têm se repetido por jovens de todo o Brasil nasceram, em condições
diferentes, na Argentina. Lá a sociedade impôs a punição de
torturadores, assassinos, estupradores e seqüestradores que
participaram da repressão da ditadura.Mas os povos podem aprender
das experiências uns dos outros! Na Argentina e do Chile, o método do
escrache ou funa expõe aos olhos do mundo a necessidade da construção
da Memória, Verdade e Justiça.Nos últimos quinze dias, as
nossas ações ajudaram a pautar no Brasil a luta pela punição dos
torturadores. Um novo ator e um novo instrumento de luta entraram em
cena: nós, jovens, com os esculachos de responsáveis pelo assassinato,
desaparecimento e torturas de milhares de brasileiros.O nosso método é simples:
denunciar à sociedade que entre nós, na sociedade, ainda circulam
criminosos impunes, apresentar à sociedade um violador ou uma violação
de Direitos Humanos.Na realização dos escrachos,
não queremos estabelecer uma relação com os torturadores, mas com a
sociedade e com o Estado, para denunciar as violações de direitos
humanos.O escracho não é uma sanção ou
um castigo. Não queremos nos antecipar a uma punição para esses
criminosos. Não queremos substituir as autoridades policiais e do
Ministério Público ou o Poder Judiciário.Queremos ultrapassar as
paredes dos gabinetes e, às vistas de todo o povo, não apenas exigir o
cumprimento da lei, mas demonstrar onde está aquele que a lei diz que
deve ser processado e punido.Nós, jovens, que nascemos nas
décadas de 80 e 90, não admitimos que as feridas da ditadura continuem
abertas e que o nosso futuro seja comprometido por essa âncora pesada e
manchada do sangue dos lutadores pela liberdade, que marca o nosso
presente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário